O jornalista e pesquisador do NEU/USP Fabrício Vitorino publicou, em 15 de julho de 2026, uma coluna no jornal português Público, na seção Público Brasil / Opinião, intitulada “O hedge virou bet: o Brasil, o BRICS e a conta russa”.
Doutorando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pesquisador associado ao Núcleo de Estudos da Ucrânia (NEU/USP) e integrante do Núcleo de Pesquisas em Política Internacional, Segurança e Defesa (NPSeD/UFSC), Vitorino escreveu o artigo durante sua permanência em Lviv, na Ucrânia, onde participou da 1ª Conferência Internacional de Estudos Ucranianos. A experiência de acompanhar a guerra a partir do território ucraniano serve de ponto de partida para discutir os impactos do conflito sobre a política externa brasileira.
Na coluna, o autor argumenta que a estratégia brasileira de manter uma posição de equilíbrio (“hedging”) em relação à Rússia e ao BRICS tornou-se progressivamente mais custosa à medida que a guerra se prolonga e transforma a arquitetura internacional. Partindo de ataques russos contra Kyiv presenciados durante sua estadia em Lviv, o texto contrapõe a realidade cotidiana da guerra à percepção predominante em Brasília e sustenta que a crescente polarização do sistema internacional reduz o espaço para políticas de ambiguidade estratégica.
A análise também examina fatores que sustentam a posição brasileira, como a dependência de fertilizantes russos e a tradição diplomática do não alinhamento, mas questiona se esses elementos continuam suficientes diante das mudanças provocadas pela guerra. Ao discutir a ampliação do BRICS, a instrumentalização do discurso do Sul Global pela Rússia e os princípios constitucionais que orientam a política externa brasileira, a coluna propõe uma reflexão sobre os custos diplomáticos, econômicos e políticos da atual estratégia do Brasil.
Publicada em um dos principais jornais de Portugal, a coluna amplia o debate internacional sobre a política externa brasileira diante da guerra russo-ucraniana e contribui para aproximar o público lusófono das discussões sobre segurança internacional, ordem multipolar e o papel do Brasil no cenário geopolítico contemporâneo.
A publicação integra a atuação de pesquisadores do NEU na imprensa internacional e reforça a difusão de análises produzidas no Brasil sobre os impactos globais da guerra na Ucrânia.